quinta-feira, 30 de março de 2017

A arte no banheiro


Desde os tempos das cavernas, os seres humanos tem grande necessidade de se expressar e se comunicar. É notável não só a evolução da escrita, como também dos meios e formas de comunicação desde a era paleolítica até hoje. Entre os meios de comunicação e de expressão cultural, o que mais tem se notado evolução nos comunicadores é o banheiro. Isso mesmo, o banheiro público.

Antes usado somente para passar um fax, o banheiro hoje é um local onde os filósofos pós-modernos produzem suas obras. Não estou falando daquele negócio marrom e pastoso que recebe vários nomes diferentes e que no fundo é a mesma merda, mas sim das citações que são escritas nas paredes do recinto sagrado.

Existem frases conhecidíssimas, que podemos considerar as “Monalisas” como:

“Lá fora você é machão, aqui você é um cagão”.

“Não cague cantando porque o cocô não sai dançando”.

 “Aqui termina a obra de um cozinheiro”.

Essas duas últimas mostram que eles também entendem de música e de gastronomia.

Há quem pense que no banheiro só exista arte barroca, mas também há poesias de matar Carlos Drummond de inveja, exemplo:

“Cagar é a lei da vida, cagar é a lei do universo, e foi aqui cagando que eu escrevi esse verso”.

“Bosta não é tinta, dedo não é pincel, quando você cagar se limpe com papel”.

“Nesse lugar sagrado toda vaidade se acaba. O mais covarde se esforça e o mais valente se caga”.

Também existem escritores que fazem obras para reflexão, e cá para nós, não há momento mais propício para refletir do que esse momento sagrado. Certa vez vi essa frase em uma parede: “Enquanto você está cagando existe um japonês estudando”. Já vi também: “Homem que fala fino pode crer que caga grosso”. Reflitam.

Quem não tem dinheiro para classificados pode anunciar nas paredes dos banheiros públicos. Já vi de venda de carros até a venda do próprio corpo.

Há também quem procura a sua alma gêmea. E nem são tão exigentes, pelo que vi esse público gosta de gente bem dotada e que tenha o celular da mesma operadora.

Cuidado que também há “pegadinhas” nesse tipo de arte. Uma vez vi uma frase com letras miúdas no rodapé da porta. Me abaixei para ler e a frase dizia: “Cuidado, se chegar muito perto você corre o risco de cagar fora do vaso”.

Deixo claro que sou totalmente contra qualquer tipo de pichação, não sou a favor desse tipo de "arte" que na verdade é vandalismo. 

No banheiro é sim um lugar para contemplarmos uma boa leitura, mas o ideal é levar um bom livro, revista ou um jornal para lermos enquanto estamos em nosso trono real. Ainda bem que este blog não é impresso, senão alguém ia querer se limpar com ele. E cá para nós, com a qualidade dos textos que escrevo, se alguém se limpasse com isso seria difícil distinguir o que é fezes e o que texto.

segunda-feira, 27 de março de 2017

Feliz dia do circo!


Pode-se dizer que as artes circenses surgiram na China, onde foram descobertas pinturas de quase cinco mil anos em que aparecem acrobatas, contorcionistas e equilibristas. A acrobacia era uma forma de treinamento para os guerreiros, de quem se exigia agilidade, flexibilidade e força. Com o tempo, a essas qualidades se somaram a graça, a beleza e a harmonia. 

Desde criança sempre fui apaixonado por circo. Me lembro a primeira vez que o circo veio à minha cidade e pedi para minha mãe me levar até lá. Ela me disse para deixar de ser bobo e que quem quisesse me ver, que viesse em casa.

Percebi meu talento para o circo, quando com preguiça de lavar a louça consegui equilibrar cinco pratos em cima de sete copos de vidro e mais algumas colheres e panelas dentro na pia. Aprendi cedo a fazer malabarismo para ganhar uma grana no farol. O problema era só na época de enchente que não dava para fazer malabarismo, apenas nado sincronizado na frente dos carros.

Sempre ouvimos dizer que o Brasil é um grande circo. E faz sentido. Se olharmos ao longo da história veremos alguns mágicos matando Mister M de inveja, com destaque para o tal de José Adalberto Vieira da Silva, do PT, que conseguiu fazer aparecer cem mil dólares em sua cueca. Eu no entanto, no máximo faço aparecer algumas manchas marrons quando ando de bicicleta, mas ainda não identifiquei o que é. Acho que estou comendo muito chocolate.

Malabaristas e equilibristas também têm seu espaço no cenário circense nacional. Várias pessoas se equilibram em cargos públicos, mesmo envolvidos em todo tipo de corrupção. Temos deputados e senadores agarrados nos cargos igual carrapato se agarra no culhão do touro. Esses deveriam estar presos igual peido na frente do sogro.

Vemos muitos ilusionistas prometendo coisas para o povo e o povo acreditando. Nessa época de crise vejo muitos políticos prometendo mais trabalho em suas campanhas. Se fosse eu prometeria mais férias, aí sim ganharia os votos. O trabalhador na maioria das vezes tem menos controle da situação que o homem-bala do canhão do circo. Brasileiro é tão azarado que se comprar um circo, o anão cresce.

No Brasil medieval, ainda há pessoas que moram em castelos, como o ex-deputado Edmar Moreira. Com seu dinheiro suado, exatamente, o seu dinheiro suado, o meu dinheiro suado, o nosso dinheiro suado, ele construiu um castelo avaliado em aproximadamente 30 milhões de reais. Nada mais justo que alguém levar uma vida de rei num país onde há 200 milhões de bobos da corte. Certos deputados são mais perigosos que barbeiro com soluço.

E assim como no circo, toda palhaçada por aqui sempre acontece por debaixo do pano.

Por fim, não poderia encerrar esse texto sem parabenizar o pessoal do circo. O circo da alegria, da emoção e da força de vontade. Parabenizo a todos pelo lindo trabalho que admiro e dedico o primeiro post desse blog.