quinta-feira, 27 de abril de 2017

O cemitério do povo


​​​​​Eu via gente morta todo dia. Não, eu não via assombração, é que já trabalhei em um cemitério. O nome do cemitério era "Um Irmão". Antes eram dois, mas um já morreu. E em meio ao sentimento de perda, as pessoas também perdem outra coisa importante nesse momento de dor: a noção!

Já pensei em um dia montar uma empresa de animação de velórios, mas lá eu percebi que não teria mercado. Existem pessoas que fazem isso gratuitamente, já ouvi muitas "pérolas" nos velórios.

Uma vez, em um velório de um atleta, chegou um senhor que parecia estar alcoolizado, pois ele cambaleava muito e nem estava ventando tanto assim. Ao ver o defunto saradão ele comentou: “está vendo, ele acordava cedo, se exercitava, se alimentava bem e morreu novo. Eu que não faço nada e só tomo cachaça estou aqui, bonzinho”.

Outra vez vi uma criança consolando a sua mãe após a perda do pai: "calma mamãe, um dia a senhora vai morrer também".

Certo dia estava eu, de gaiato, fazendo meu horário de almoço quando um desconhecido chegou em mim e me deu os parabéns. Achei estranho, nem era meu aniversário, nem nada, aí perguntei o motivo. Ele me disse: "meus pêsames, desculpa, confundi as palavras".

O pessoal que trabalhava comigo também era muito gente boa. Nas horas vagas a gente brincava de "balança caixão". Também jogávamos um carteado, mas eu sempre perdia dinheiro para os coveiros no jogo de tranca, eles eram muito ligeiros para pegar o "morto".

Outra brincadeira legal que a gente fazia era o jogo do buquê com as coroas de flores. Quando tem casamento, a noiva joga o buquê de flores e quem pegar é a próxima a desencalhar. Lá, a gente jogava a coroa para os participantes do velório para ver quem era o próximo a morrer. 

Está em fase final e deve ser inaugurado ainda esse ano o "Corinthians para Sempre", cemitério que o clube do Parque São Jorge promete ser "o maior cemitério do mundo". Enquanto seu maior rival não tem mundial, o Corinthians quer conquistar seu segundo título, já que conquistou o mundo em 2012. A ideia é que todo o processo, do funeral ao enterro, seja repleta de referências ao clube: da execução do hino a uma coroa de flores com o formato do escudo do Corinthians, mas sem flores verdes, cor que faz alusão ao arquirrival Palmeiras. 

Os coveiros do "Cemitérião da Fiel" serão o técnico Fábio Carille e o atacante Romero, já que eles vivem enterrando o time. Coveiros que nesse cemitério em específico serão chamados de "delegados", em homenagem ao profissional que prende os corintianos em vida e mais uma vez os prenderá, dessa vez para não sair mais. 

O cemitério, grande jogada do marketing alvinegro, terá 402 mil metros de área, ou seja, dará pra "cavar" muitos pênaltis. Se nos 30 metros da área do Itaquerão já tem aquele monte de pênalti, imagina em um espaço desse tamanho. O local contará com aproximadamente 70 mil jazigos, o que particularmente acho pouco. Se colocarem a Rota na rua essas vagas acabam em menos de uma semana. Seria mais interessante construir uma penitenciária (sem dinheiro público dessa vez) para abrir vagas nas outras que estão lotadas. Só sugiro ao Corinthians que enterre todos de bruços, assim se ressuscitarem, cavam pra baixo. 

Vi pichado no muro do cemitério: estou muito feliz, minha sogra saiu do hospital... direto pro cemitério! Ri do humor negro, embora nunca entendesse porque cemitérios precisam de muros, afinal quem está fora não quer entrar e quem está dentro não pode sair. 

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Vamos devolver o Brasil para os índios?


Sempre me perguntam: direita ou esquerda? Na verdade, o que queria mesmo era que o Brasil fosse para frente. Hoje o Brasil está dividido, de um lado mortadela, do outro coxinha. Eu estou aqui no meio só pensando em comer os dois.

O Brasil é um país maravilhoso onde só faltam duas coisinhas: ordem e progresso. Aqui muitas pessoas realmente acreditam que o voto seja uma arma, acreditam tanto que acabam cometendo suicídio coletivo na hora que votam. Dão umas dedadas na urna e na maioria das vezes, salvo raras exceções, passam quatro anos tomando dedadas do governo. No mundo, deputado é parlamentar. No Brasil, deputado é para lamentar.

Mas é claro que não são só os políticos que levam a nossa pátria amada, idolatrada, salve, salve, para o fundo do poço, o povo e seu jeitinho brasileiro contribuem para que o Brasil seja piada internacional. E cá para nós, a cada dia que passa descobrimos que no fundo do poço que nos encontramos ainda tem vários subsolos.

O povo diz: o Brasil é comandado por nós! Sim, um monte de nós, nós cegos. O Brasil, para mim, é como absorvente feminino, está localizado em um lugar privilegiado, mas em uma época difícil.

Veja a nossa educação, por exemplo, a escola é de samba, sertanejo e o forró agora são universitários e o povo é analfabeto.

Na saúde, nosso país era dengoso, mas evoluiu e agora é zikado. O governo brasileiro é o mais religioso do mundo, em cada hospital que eles fazem, levam um terço.

No esporte, realizamos os jogos olímpicos. O nosso país é tão violento que a nossa primeira medalha foi no tiro. Assim como há 517 anos atrás, os gringos vieram aqui e levaram todo o nosso ouro e o brasileiro que levou mais ouro foi o trombadinha que assaltava uns estrangeiros lá no Rio.

A segurança nem vou comentar. Temos uma das maiores populações carcerárias do mundo e ainda tem mais bandido fora, do que dentro da cadeia.

Gostei dessa nova campanha do governo contra o sedentarismo. Aumentaram o preço da passagem de ônibus, da gasolina e obrigaram todos a andar a pé. O único lugar do Brasil que abaixou o litro da gasolina foi no posto aqui perto de casa, abaixaram para 900 ml.

Dizem que brasileiro só pensa em futebol. Que futebol, que nada, o Brasil precisa mesmo é de educação, segurança, saúde, menos impostos, um centroavante para jogar com o Neymar e um goleiro mais confiável.

E a reforma da previdência? As maternidades terão que passar, a partir de hoje, a emitir carteira de trabalho para os recém-nascidos para que eles possam se aposentar antes de morrer. Estava esses dias juntando os documentos para dar entrada em minha aposentadoria, já que de acordo com as novas regras da previdência social só falta um documento para eu garantir esse benefício: a Certidão de Óbito.

Sei que alguns “patriotas” vão se revoltar com o conteúdo desse texto. A maioria da população do Brasil não se incomoda com nada disso que eu citei quando acontece no nosso dia a dia, mas fica bufando de raiva quando alguém usa isso para fazer piada. E o brasileiro que se preocupa com a piada que um idiota como eu faz, mas que não se preocupa com o que faz o político que ele vota, se acha no direito de dizer que burro é o português.

Enfim, estamos vivendo a semana em que comemoramos o dia do índio e o descobrimento do Brasil, que tal aproveitarmos fazendo uma festa só e devolvermos o país aos verdadeiros donos? Afinal, já dizia Bezerra da Silva: O Brasil só vai sair dessa baderna quando morcego doar sangue e saci cruzar as pernas.

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Belo e a sucessão de sucesso


​​​​​O colunista do UOL, Chico Barney, publicou essa semana que o cantor Belo vem se firmando como sucessor do Rei Roberto Carlos, o que deixou os súditos do Rei mais aborrecidos do que são-paulino na zona. 

Os fãs do rei, argumentaram que o colunista está mais por fora do que bunda de índio e que é mais fácil varrer a escadaria da Penha de baixo para cima, do que isso acontecer.

Já as fãs do pagodeiro, mais faceiras que pintinho no lixo ou gordinho como eu de camiseta nova, disseram que o Belo, que na verdade é mais feio que encoxar a mãe no tanque na semana santa, superará o Roberto Carlos, provocando dizendo que ele é Rei porque no show dele só vai coroa.

Nos dias atuais, as pessoas inventam estatísticas para provar qualquer coisa, 99% das pessoas sabem disso e concordam comigo. O colunista do UOL, por sua vez, usou seis argumentos para comprovar a sua tese. Eu também vou avaliar, mas de forma mais inútil do que mijar em incêndio:

1. CONSISTÊNCIA

O autor disse que assim como podemos esperar o especial do Roberto Carlos no final do ano, anualmente também podemos esperar um disco novo do ex-vocalista do Soweto. Ou seja, o especial que chega junto com o Papai Noel e é mais manjado que panetone no Natal, é tão comum quanto o disco daquele que tem olhos vermelhos (não preciso nem citar o motivo) e pelos branquinhos (oxigenados, mas branquinhos), fazendo referência a outro feriado especial cristão.

2. REPERTÓRIO

O repertório dos dois também foi comparado. Embora eu não entenda muito de música, com uma perna só (sem referências) o Roberto tem um repertório melhor que o Belo. É uma comparação igual cravo em cima do beijinho: desnecessário. Se tem alguém que não entendeu a tal comparação, esse cara sou eu! 

3. ROMANTISMO

Os dois falam muito de amor e cá para nós, casamento é bom demais! Já fui em vários. Realmente os dois são muito românticos, tanto que as mulheres procuram encontrar o "cara" que o Roberto Carlos descreve em sua música. Seria mais fácil encontrar se a maioria não agissem como as garotas do repertório da Deize Tigrona. Hoje quando a maioria das garotas fazem piada em rede social dizendo que está grávida, metade do bairro já fica preocupado, menos eu, claro.

4. RELIGIOSIDADE

O Rei Roberto Carlos tem grandes sucessos dedicados à Nossa Senhora e a Jesus Cristo. Belo também é bastante religioso, tanto que quando foi preso por tráfico de drogas, ao ser interrogado se toda aquela droga era dele ele disse: toda não, só um terço. Mas o Belo não é o primeiro religioso que vende drogas, o Padre Marcelo Rossi, por exemplo, já vendeu quase um milhão de discos.

5. POLÊMICAS

Ambos já se envolveram em polêmicas daquelas que olhamos e exclamamos: que papelão! Atualmente quando usamos esta exclamação, Roberto Carlos acha que estamos nos referindo à carne que ele é garoto propaganda. Belo sempre está envolvido em polêmicas com mulheres. Eu também estive envolvido em uma polêmica com minha mulher esses dias, quando ela encontrou uma calcinha no meu quarto. Tive que dizer que sou travesti, já pensou se ela descobre a verdade? Ia dar um problemão se ela soubesse que sou um revendedor DeMillus. 

6. INTERESSE GERAL

O maior interesse que o cantor Belo me despertou foi o seguinte: por que será que o milho verde é amarelo, o quadro-negro é verde, o Halls preto é branco e o cantor Belo é feio?

Enfim, em um país onde Neymar é sucessor do Pelé, Felipe Massa é sucessor do Ayrton Senna e Anitta é a sucessora da Elis Regina, não me surpreende ouvir dizer que o Belo é o sucessor do Roberto Carlos. Daqui a pouco vão publicar que o Valdemiro Santiago é o sucessor de Jesus Cristo. 

E para você, caro leitor, quem é o sucessor do Rei Roberto Carlos? Eu não sei, só digo uma coisa, comparações nem sempre são justas e são mais perigosas que macaco brincando com navalha. 

terça-feira, 11 de abril de 2017

O futebol respira!


Ontem, pelas quartas de finais do Campeonato Paulista, Santos x Ponte Preta se enfrentaram e aconteceu algo no mínimo curioso. No finalzinho do primeiro tempo, o árbitro do jogo não deu um pênalti claro para o Santos, o que indignou a equipe santista. O preparador físico do Peixe, Celso Resende, ofereceu seus óculos para o juizão enxergar melhor o jogo e acabou expulso do banco de reservas.

Isso me fez lembrar uma vez que injustamente fui expulso na várzea, quando mandei um árbitro careca tirar a franja do olho para enxergar direito.

Voltando ao jogo de ontem, sem trocadilho, não sei como o árbitro enxergou maldade nesse gentil gesto de fé cristã em plena semana santa, realmente precisa de óculos. Esse mundo está ao avesso, o rapaz ser expulso quando na verdade merecia um prêmio de Fair Play (jogo limpo).

O Steve Wonder, digo, o juizão que não enxergava nada igual anão em comício, disse após o jogo que não aceitou os óculos porque a regra do jogo diz que não se pode ter interferências externas nas decisões dele. Mas na minha opinião ele foi burro, eu aceitaria o presente, tendo em vista que um óculos hoje custa no mínimo 300 reais.

Eu não sou santista, mas acho que os óculos tinham que ser oferecidos ao técnico Dorival Júnior, que não enxerga o que acontece em campo desde que começou o campeonato, este, segundo a torcida, está mais cego do que tatu durante o dia.

O bandeirinha que estava ao lado do ocorrido ressaltou que os óculos não tinha lentes, o que claramente caracteriza uma armação da equipe do Santos.

No fim das contas a Ponte Preta eliminou o Santos e o juizão retribuiu a gentileza: ofereceu um sofá para que a equipe santista assista de casa o restante do Paulistão.