segunda-feira, 17 de julho de 2017

A Miss Homicidio


Do nada começa um bang-bang na rua e o presunto está fresco. Em seguida a população começa a chegar com o pão, queijo e refrigerante. Até aí é algo normal, não há povo mais sádico que o brasileiro. Foi o que aconteceu em Recife, na comunidade Roda de Fogo, onde a população batia palmas e gritava ao assassino: “mais um, mais um”, pois o crime havia animado aquela tarde tediosa. Isso porque é época de festa junina no Nordeste, imagina quando chegar o Halloween. Ou a Festa de Cosme e Damião, pois aí sim o povo costuma distribuir bala para todo lado.

Mas quem estava com "fogo na roda" foi uma moça que, sem pudor nenhum, começou a fazer strip tease em frente à população e ao pobre e indefeso cadáver estendido no chão. Como se percebe pela foto e pelo fato, ela não tem nenhum corpo de levantar defunto. Diria até que não levanta nem o que está vivo. Não se sabe quem tinha mais furo, o peito de Antônio Ronnes da Silva, vulgo o morto, que parecia mais um queijo suíço, ou a bunda da tal moça, a qual identidade será mantida em sigilo, mas que chamarei carinhosamente de "Miss Homicídio", que parecia mais uma pedra-pomes, aquela de lixar o calcanhar. Ela ficou exibindo o corpo, mas vamos falar a real, se homem se apaixonasse por pernas e coxas, avestruz e galinha receberiam flores todos os dias.

A rua estava tão cheia na hora do tiroteio, que o cara levou o tiro e só pôde cair uma hora depois quando a rua começou esvaziar. Mas o que espanta mesmo é o jeito que a população encarou um fato como este e a banalização da violência. Parecia que ao invés de ter um corpo de uma pessoa estendido no chão, parecia haver um bolo, pois o clima era de festa, e não de qualquer outro sentimento que corresponda com tamanha violência. Quando pensamos que o diabo está sem criatividade, a gente vê uma situação dessa.

O Brasil está parecendo o Velho Oeste. Naquela época, todo mundo andava com um revólver daqueles "canela seca" na cintura. Ninguém mexia com ninguém. Quando um mexia com o outro, tudo era resolvido ao meio-dia, num duelo. Quem ganhou viveu, quem perdeu, um abraço! A diferença é que hoje em dia, um século e meio depois é assim: eu ando na rua desarmado e quem vier mexer comigo, não me convida para um duelo nem nada, já me dá um tiro e leva meu dinheiro. E a população ainda samba em cima do meu cadáver.

Encerro dizendo que violência só gera mais violência, e amanhã o presunto fresquinho pode ser quem chegou hoje com o pão, com o queijo, com o refrigerante...

Um comentário:

Talita Gomes disse...

Você é fantástico, li texto por texto e fiquei encantada. Parabéns!!