domingo, 16 de setembro de 2018

Eu amo a minha lata velha!


Eu amo meu carro. Mesmo ele estando mais judiado que ovo de ciclista. Ele está tão velho que esses dias passei no pedágio e a moça me disse: "Bom dia, R$7,90 senhor". Eu disse: “Vendido, pode levar”. Chamo meu carro de possante, afinal, onde eu estaciono fica uma poça de óleo embaixo.

Sei que quem me conhece vai falar que quando falo desse amor estou mais louco que galinha amarrada pelo rabo, já que ele está mais riscado que do que participante do “Baleia azul”, mais sujo que telefone de açougueiro e mais amassado que dinheiro de bêbado. Quem olha ele por dentro duvida ainda mais, já que nem som meu carro tem. 

O meu carro está tão feio, que esses dias coloquei uma placa de venda nele e quando voltei, estava escrito embaixo na poeira "duvido". Ele parece carro de funerária: só anda em ponto morto. Esses dias levei ele na oficina e o mecânico perguntou por que o ronco dele estava estranho. Eu vou lá saber, o carro dorme sozinho na garagem.

Ando com o carro assim porque eu sou um cara sensato. Nos dias de hoje não há nada mais sensato do que ter um carro velho, feio, riscado e amassado, desde que ele ande, é claro.

Tenho um amigo que fica me zoando porque ele tem um carrão e eu ando nessa lata de sardinha com quatro rodas. Mas veja bem, meu carro está quitado, não pago prestação, seguro, acessórios, estacionamento e muito menos flanelinhas, só gasto com o combustível. O meu carro nunca me deixou na mão. E nem a pé.

Esse amigo diz que o carro dele atinge 200 km por hora e que o meu não. Ok, mas do que adianta se aqui na minha cidade se eu passar de 50 km por hora eu sou multado?

A gente sai no carro dele e ele fica saindo toda hora na rua para ver se o carro não foi roubado. Eu deixo o meu em qualquer quebrada do mundo na maior certeza de que ninguém vai mexer nele. Ninguém quer aquela joça nem de graça. Meu amigo sempre dá aquela olhada para trás depois de trancar o carro estacionado, como se fosse a última vez que fosse o ver.

Ele gasta uma nota com estacionamento e quando não há nenhum por perto tem que pagar para o flanelinha olhar. Agora cá para nós, você acha que o flanelinha vai impedir um ladrão de roubar o carrão do meu amigo para ganhar no máximo a gorjeta de cinco reais? Eu não me preocupo, quando o flanelinha diz que se eu não der o dinheiro do café (leia-se cachaça), ele vai riscar meu carro, eu já digo pra ele procurar um espaço onde não esteja riscado. Se ele achar, pode riscar. Quem tem carro velho não precisa ceder à chantagem de ninguém, sabe o que isso se chama? Honra!

Esse meu amigo já foi vítima de dois sequestros relâmpagos. E eu? Quem tem um carro como o meu já deixa claro ao ladrão que nem conta no banco tem e se tiver está no vermelho.

Outra coisa que meu amigo se gaba para o meu lado é que ele pega um monte de mulher por causa do carrão dele. Até nisso o meu carro velho me ajuda: a me livrar das Maria-Gasolina. Vira e mexe vejo as meninas postando: "faça acontecer que eu faço valer a pena". Interpreto: "vem me buscar de carro que eu libero". Como diz o ditado: cavalo pangaré puxando carroça bonita, consegue pastar com qualquer potranca.

Enfim, para todo lugar que meu amigo vai no carrão dele, eu vou na minha carroça feia de pangaré coxo. Sempre quando entramos nessa discussão ele me chama de invejoso e acredito que muitos que leram também vão me chamar. Mas uma coisa é certa, vivo para os bens materiais me servirem e não para ser escravo de bem material. 

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

Minha barriga: um cemitério de coxinha!


Eu engordo e emagreço, engordo e emagreço. Já passei tantas vezes nesse tal "efeito sanfona", que quando aperto a minha barriga já toca "Asa Branca" do Luiz Gonzaga. Agora percebi que estou gordo novamente. A maior desilusão na vida de uma pessoa é você murchar a barriga e notar que não resolve mais.

Gordo não, vou aderir às novas etiquetas de xingamentos impostas pela sociedade, agora sou Plus Size. Graças a Deus eu tenho a autoestima bem elevada, tanto que entrei na farmácia, me pesei e descobri que estou vinte quilos mais gostoso. Aliás, estou vencendo a luta contra a balança, mais cinco quilos e eu esmago ela.

Estou tão gordo, que se eu colocar um relógio em cada pulso, dá fuso horário de um para o outro. Se eu pular de paraquedas acontece um eclipse. O médico disse que eu tinha que perder dez quilos, então fui na loja de artigos esportivos, comprei dois alteres de cinco quilos cada e esqueci dentro do táxi de propósito, vamos ver se funciona. Ele me disse também para evitar coisas que engordam, já estou evitando espelhos, balanças e fotografias. 

Ontem entrei em uma loja de roupas e a vendedora disse: eu acho que seu número não tem. Engordei tanto que se jogar uma camisa minha para o alto, tampa a camada de ozônio. Falando nisso, li que se você pesa 100 quilos na Terra, em Marte você pesa 38. Agora tenho certeza que moro no planeta errado.

Minhas roupas realmente não vem me servindo mais. Minhas camisas agora tem que ser do tamanho da minha internet: 4G. Ultimamente até as carapuças com indiretas que me mandam no Facebook, nenhuma me serve.

Estou tão gordo, que estou tirando selfie no modo panorâmico para me caber. Não tenho mais uma barriga e sim um cemitério de coxinha. Aliás, seria melhor ter um pulmão e dois estômagos.

Fui cantar uma garota esses dias:

- E aí gata, rola? 
- Rola, claro... é só você deitar que eu te empurro!

Semana passada eu estava chegando no Mato Grosso e lá no Acre já sentiram o abalo. Caí da escada esses dias, ninguém riu, mas a escada rachou. Engordei tanto que seu eu morrer, for cremado e jogarem as cinzas no mar, vai criar uma ilha.

Enfim, quando até sua mãe diz que você está gordo, é porque você realmente precisa fazer alguma coisa. Vou fazer... uma dieta? Não, vou fazer um churrasco!

quarta-feira, 5 de setembro de 2018

Tamanho é documento?


​​​​​Hoje vou comentar sobre um assunto que intriga a raça masculina que participo com orgulho. Afinal, tamanho é documento?

Vou começar falando por mim, afinal não fico muito intrigado com isso já que sou adepto das velhas frases: “tamanho não é documento” e “dinheiro não trás felicidade”, o que logo mostra que sou pobre e que tenho pinto pequeno. Sou feliz assim, não vou deixar que coisas pequenas atrapalhem meu dia a dia.

Engraçado que recebo vários e-mails com “táticas” para aumentar meu pênis. Mas é besteira. Um amigo me disse que é só amarrar um barbante com uma pedra no dito cujo e fazer um levantamento de peso. Segundo ele funciona, mas não tenho coragem de arriscar meu pescoço. Prefiro continuar com meus poucos, mas naturais dotes. Além do mais, não acredito nesses truques, esses dias comprei um produto pela internet que prometia aumentar o Nicolau, mas quando recebi em casa e abri, vi que era uma lupa.

Semana passada eu conversava com uma moça pela internet e ela me disse que pra sair com ela tinha que ter um pênis de A a Z. Olhei no teclado a distância de A até o Z e pensei: "está no papo!". Mas no fim das contas, acabei nem pegando esta mina. Tenho um grave problema com preservativos, todos que eu compro tenho que levar para minha mãe fazer barra e ela não estava em casa nesse final de semana.

Com certeza o que mais chateia nossa classe são as gozações (estou falando de zoação). Um amigo me zoa bastante por causa disso, quando eu ver a namorada dele vou reclamar e mandar ela parar de ser fofoqueira.

Fui passar trote esses dias para um amigo cabeleireiro e me dei mal:

- Alô, é do salão?
- É sim!
- Quanto custa para lavar a cabeça?
- 15 reais.
- E o Nicolau inteiro?
- No seu caso, continua 15 reais.

Acho que ele reconheceu a minha voz.

Essas zoações traumatizam sim, é fato isso. Tanto que esses dias fui comer um lanche no Subway e a atendente perguntou:  

- Boa tarde, senhor, 15 ou 30 centímetros?
- Ah, 7, mas isso não tem nada a ver. 

Vou encerrar esse texto porque está friozinho hoje. No frio junto com as ideias outras coisas diminuem e não quero falar mais dele. Mas uma coisa é certa, nesse texto fiz igualzinho ao meu dito cujo: quando todos pensavam que estava na metade, já estava no final.

domingo, 2 de setembro de 2018

É duro ser duro!


Eu sou pobre. E enquanto eu vejo milhões de brasileiros nas ruas protestando, eu também fui a vários protestos este mês: no SPC e no SERASA. Se tempo é dinheiro, meu relógio só vive atrasado.

Ando mais duro que bochecha de estátua, tão duro que quando eu entro nas lojas, os vendedores já abaixam a cabeça sabendo que só vou perguntar o preço. O diploma da faculdade até agora só me serviu para uma coisa: forrar a gaiola do passarinho.

Ultimamente ando mais apertado que saco de Cowboy. Fui ao banco pegar um empréstimo esses dias e nem consegui entrar. O detector de metal da porta giratória ficava travando por causa do prego que estava remendando minhas havaianas.

Não sei o que é melhor, ser feio e rico ou ser bonito e pobre. Mas eu sei muito bem o que é ser pobre e feio. A vida de pobre é muito difícil e ninguém faz nada para melhorar a nossa vida, a não ser um dos grandes gênios da humanidade, o chinês que inventou a raquete elétrica de matar pernilongos. Esse sim olhou para os pobres!

O pior lado da pobreza é querer comer coisas diferentes e não poder. Hoje se eu conseguir comer um frango, pode ter certeza que é porque eu ou ele está doente. Adoro laranjada, mas só tomo quando sai briga na feira.

Ser pobre na era da tecnologia também não é legal. Eu queria equipar meu computador que é mais lento que coice de porco. O teclado é tão antigo que mais parece o de uma máquina de datilografia. Meu celular é moderno, mas ganhei de uma amiga. Esses dias recebi uma mensagem de um amigo me chamando de pobre, mas não respondi porque não tinha créditos.

Comentava sobre minha pobreza com um amigo e ele me disse: “nossa, você está comendo o pão que o diabo amassou, hein?”. Eu respondi: “sim, o pão que ele amassou na semana passada”.

Ontem veio um mendigo falar comigo e me pediu um pão. Eu não podia ajuda-lo porque estava mais duro que ele. Mas fui categórico ao dizer que não poderia ajudar porque já era quase meio dia e que se ele comesse pão naquele horário não iria conseguir almoçar direito.

Já pensei em jogar na loteria para tentar ficar rico, mas pensando bem, se eu tivesse sorte na vida não estaria nessa situação. E também tenho medo de ficar rico sabe, sempre ouvi dizer que pobre é que nem lombriga, quando sai da merda, morre.

Termino por aqui, vou desligar o computador para economizar na conta de luz. O clima está chato aqui em casa ultimamente, principalmente depois do dia que eu pedi mesada para o meu pai. E se eu fosse contar todo o aperreio que eu passo devido a pobreza, esse texto nunca chegaria até aqui, a ultima linha.