terça-feira, 10 de março de 2020

Ei carinha, me passa um dólar?


O Real hoje é uma das moedas mais desvalorizadas do momento. Mais sem valor do que eu para as garotas do meu bairro. E isso nos traz mais problemas do que adolescente viciado em crack, sendo um dos maiores deles a alta do dólar, que já está chegando aos cinco reais. O dólar está mais caro que sustentar elefante com bombom. 

Eu não sou economista. Pelo contrário, não economizo nada. Só sei que o problema do pobre é achar que o dinheiro do lanche não vai fazer falta depois. Mas depois que ouvi o Ministro dizer que quanto mais alto o dólar, melhor para a economia do país, comecei a perceber que não sou só eu que não entendo. PIB baixo e dólar alto são coisas boas. Imaginou se fosse ao contrário? Era capaz de recomeçar aquela farra de todo mundo viajar de avião e até doméstica ir para os EUA. Aí não dá!

Disseram que com a reforma trabalhista e da previdência social o Brasil iria melhorar. Será que era verdade? Se for, é só fazer outra reforma que o dólar vai pra três contos. Nos últimos anos depois do Saci Pererê, o dólar baixo foi a lenda mais ouvida no Brasil. Veja:

2016 - Se tirar fulana o dólar cai.
2017 - Se passar a reforma trabalhista o dólar cai.
2018 - Se o ciclano for eleito o dólar cai.
2019 - Se passar a reforma da previdência o dólar cai.
2020 - Dólar alto é bom!

O povo reclama, mas o governo diz que o Brasil está crescendo. E está mesmo, cresceu o sub-emprego, o preço da gasolina, o dólar, a fome, a miséria, tudo isso vem crescendo bastante. Nossos militares no poder são grandes estrategistas, seus movimentos friamente calculados lembram muito os do Britânico Mr. Bean no filme Jhonny English.

O coronavírus virou o novo bode expiatório do Brasil, agora tudo é culpa dele. Toda a culpa é dos chineses que deixaram de comer pastel de flango para comer de molcego. Falando nisso, adeus AliExpress, foi bom em quanto durou.

Falando em gringos, um país com moeda forte se dá o respeito e cuida das notas. Cuida tão bem do seu dinheiro que se tiver dobras muitos comerciantes não aceitam. Aqui o povo escreve ''não sei quem livre'' ou ''fulano 2022'' nas notas. O povo cola com durex e deixa mais ensebada que telefone de açougueiro.

Agora uma coisa facilitou, se alguém um dia na rua te abordar e disser:

- Ei carinha que mora logo ali, me passa um dólar?

É só sacar uma nota de cinco reais e já era. 

Li numa revista americana que em poucos anos o dinheiro físico não existirá mais. Aqui no Brasil já estamos bem a frente dos americanos, pois quase ninguém tem, nem físico e nem em nenhum outro formato. 

No fim das contas, com esse preço do dólar, a classe média não vai poder ir mais para a Disney. Mas tudo bem, o próximo busão para o Parque do Beto Carrero sai da rodoviária em 15 minutos. Bora lá!

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