quarta-feira, 22 de abril de 2020

Mito é o carinha do patins!

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Eu não gosto de ir em supermercado. Primeiro porque é nula a probabilidade de na volta estarem do mesmo lado o bolso com chave da porta e a mão que segura as compras. Segundo porque sou sedentário, se eu voltar do supermercado com mais de 6 sacolas já fico todo dolorido. E terceiro porque minha paciência anda mais curta que roupa de piriguete.

Piriguete pra mim é como uma criança que não sabe como conseguir o Danoninho e se joga aos berros no corredor do mercado. Nem a pandemia do coronavírus consegue segurar as moças. Perigoso isso, geralmente o dono do iate já tem mais de 60 anos e está no grupo de risco da doença. Muita piriguete se achando a última bolacha do pacote. Se liga, no mercado tem mais.

Mas o tema de hoje não é esse. Sabe aquele ódio de si mesmo que dá quando você fica duas horas elaborando a lista de compras com 250 itens, mas quando chega no mercado descobre que esqueceu ela em casa? Pois bem, fiquei horas no mercado mais perdido que cueca em noite de núpcias.

Me lembrei que precisava de veneno para ratos. Em casa tem muito rato, mas o único gato que funciona é o da TV, o felino que eu crio está mais por fora que rego de índio. Vi na prateleira um "Mate Leão" e comprei sem dúvidas. Afinal, se mata leão, imagina rato. Espero que funcione.

A gente anda pelo mercado e vê uma das maiores contradições de todas. A sociedade pressiona as pessoas da nossa geração a serem magras, mas no mercado 90% da comida disponível não colabora para isso. Por isso estou mais gordo que mosca de mercearia. Sou a favor de carrinhos de mercado maiores, não estou mais cabendo lá dentro!

Vi demonstradora de tudo, menos do produto mais concorrido e disputado nessa quarentena: o papel higiênico. Seria engraçado não acha? O pessoal que está estocando o produto passando, abaixando suas calças, a promotora passando o papel e dizendo com delicadeza: 

- Viu como é macio, Senhor? 

Agora o pior lugar do mercado é o caixa. Sou um filantrópico de verdade, vivo doando um centavo para os mercados toda vez que vou lá. Chega a nossa vez e a moça do caixa pergunta:

- Vai querer sacola? 

Cada coisa. Se fosse para levar no bolso, eu não passava no caixa.

E toda vez tem um barraco no caixa. No site do mercado o produto está um preço, na prateleira outro e no panfleto que entregam na rua um outro diferente. Aí fica aquela confusão mais feia que indigestão de torresmo. 

Dessa vez, o pessoal na minha frente estava brigando por divergências no preço do milho de pipoca. O clima ficou tão quente que o milho estourou e comemos a pipoca lá mesmo. Aquela briga. O cliente mais faceiro que mosca em tampa de xarope. A moça do caixa suando mais que tampa de cuzcuz. Eis que aparece o mito, o cara que uniu e pacificou a situação: o carinha do patins!

Quem nunca presenciou uma situação dessas em um supermercado e sempre chega esse profissional do bem, esse ungido do Senhor para resolver a bucha? Ele fica na dele, aparece pouco, mas quando aparece resolve o problema. Esse sim é o verdadeiro mito. Mito é quem no momento de conflito vem para apaziguar e não para piorar ainda mais a situação. Mito é quem vê o problema e resolve, não quem joga a culpa em um terceiro. Mito é quem procura solução para a crise e não meios de aumentar ela.

Nesse momento de reflexão pensei: carinha do patins para Presidente!  

Por coincidência, o carinha do patins era um amigo da época da faculdade que estava trabalhando lá. A faculdade realmente nos preparou para o mercado, não mentiram para gente! 

A esse amigo e a todos os profissionais que estão trabalhando nos serviços essenciais eu deixo o meu caloroso abraço. De longe, mas caloroso. E a todos aqueles que têm nas mãos e nas canetas a decisão que interfere na vida de toda uma sociedade, se inspirem no carinha do patins. Resolva. Ele sim é um mito!

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