Amigo secreto, ocultarei a minha presença!


Quando chega essa época do ano começam a surgir convites para os mais variados amigos secretos de todos os grupos que participamos. É aquele oba-oba, que de secreto não tem nada, todo mundo sabe quem te tirou, menos você. Amigo secreto é igual chifre, a gente sabe o de todo mundo, menos o nosso.

Esse ano devido à pandemia e por ter um bom motivo de não me misturar com a gentalha, só brinco de uma maneira: vocês depositam mil reais na minha conta e eu tento adivinhar quem foi. Queria ser aquele amigo rico, que não pôde comparecer porque está fora do país, mas não vai ser dessa vez, vou ter que falar a real mesmo, estou fora de aglomerações.

Além disso, não quero brincar esse ano porque estou mais traumatizado que cachorro que caiu da canoa em dia de chuva. Não porque normalmente damos um PS5 e ganhamos em troca uma toalha de banho, não é por isso, mas sim porque no ano passado participei de quatro amigos secretos e quase saí mais surrado que joelho de sapateiro. Participei de um na igreja, um na família, um no trabalho e outro na vizinhança, e fiz a maior confusão na hora de distribuir os presentes. 

Para o meu amigo secreto da igreja, a freira Irmã Clotilde, eu dei a lingerie que eu ia dar para a piriguete secretária do chefe que eu tirei no amigo secreto do trabalho. Deu um rolo danado e quase fui excomungado, quando a vi abrindo o presente fiquei mais branco que canela de freira. 

O presente da freira, um terço banhado a ouro e muito bonito, eu dei para a minha sogra no amigo secreto da família. Logo surgiu o comentário que eu desejava a sua morte e que já tinha dado o terço para ela segurar quando estivesse no caixão. O discurso dela de reclamação foi mais longo que arroto de girafa. 

Para meu vizinho, o Marcelão, um bombadão, eu acabei dando o vestido florido que eu iria dar para a minha sogra. Ele ficou mais irritado que cavalo com mosca no ouvido. Resultado: dois dentes quebrados e um olho roxo, apanhei mais pandeiro na gafieira.

Já o presente que eu tinha comprado para o Marcelão, uma luva de boxe, um calção e uma bota para a prática desse esporte, eu acabei dando para a piriguete do trabalho. Bom, pelo menos ela vai utilizar, coitado dos caras que ela pegar na noitada e que aceitarem participar das suas fantasias, vão servir de saco de pancadas.

Mas a vida é assim, para uns a vaca dá leite, para outros o boi nem mija. A vergonha que eu passei são como o barulho e os ralados do meu carro: não dá mais para esconder. E para você que está lendo esse texto até aqui eu deixo a dica: indique esse blog caso esteja participando de algum “inimigo secreto”. Você não vai se arrepender!

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